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Mostrando postagens de Março, 2008

Filosofia de ser Águia

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A águia voa sobre minha cabeça
Meus pés encharcados de lágrimas.
A águia voa
E se afunda em mim: eu abutre!

As águias não choram pelo seu sofrimento
Só voam alto pelo firmamento.
As águias não perdoam
Quando um peixe, lá em baixo, vacila.
As águias enxergam longe
Mesmo que não seja preciso.
As águias não são amigas dos abutres.

As montanhas onde moram
São paraísos recintos de solidão,
Outros animais não percebem
Essa amplidão.
As águias não se importam com a dor
Arrancam, elas mesmas, seus bicos, penas e unhas
Se necessário for
E ficam aves feias para renovarem as forças,
Para renovarem seu tempo de vida.
Mas para tudo isso
É necessário amor,
Porque sem ele
Não há mudanças felizes.

As águias não são amigas dos abutres,
Eles buscam por coisas mortas;
Elas enfrentam a morte
Para se manterem vivas.

A águia voa sob meus pés
Minha cabeça encharcada de penas.
A águia voa
E derrota seu inimigo em mim:
A morte.





Jaquelyne de Almeida Costa

O jeito “Jaque sou” de ser

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O poema que "explica" a existência desse diário virtual.


Já que sou...o jeito é ser!”
(Clarice Lispector)

Sou relâmpago
Notícias-trovão
Me assustam, eu assusto
É um queixo no chão.

Num retrato que me empresto
Caro demais diante do resto
Das coisas no e do mundo.
É história de Macabéa o meu futuro.

Está chovendo lá fora
Mas não vejo os pingos cristalinos que são
Encharcando as vidas demasiado tristes e frias.
Sou complicada demais para entender...

Olhar quando não se pode escutar
E dizer: -“Olhe!” quando se quer que escute,
Escute,quando se é perceba,
Perceba quando se quer Mude.



Jaquelyne de Almeida Costa.

O zero é universalmente infinito

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Será que esta pessoa que escreveu o título acima é uma louca? E se for, o que há de errado nisso? Será que por ser louca não pensa, não produz, não faz nada, é um nada? A loucura já foi e é ainda encarada com muita hostilidade; com certo medo; uma boa dose de repugnância, ou simplesmente frieza. Mas foi tudo isso que os diretores Marcelo Masagão e Andréa Meneses fizeram questão de não reproduzir no vídeo-documentário O zero não é vazio, lançado em 2005, em São Paulo.
O vídeo começa de forma interessante e peculiar, com uma fotografia de um banco de praça comum e a doce voz que vez em quando aparece para falar sobre quem são os principais autores e suas obras. È divido em cinco peles: A epiderme, a roupa, a casa, eu e o outro e o universo. Cada uma delas discute temas que vão do superficial para o intrínseco humano. As imagens possuem um diferente enquadramento, tanto que ao invés de mostrar primeiramente o rosto das pessoas “loucas” ele prioriza as mãos delas, e o que elas produzem. Nã…

Posologia Poética

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Deve-se respeitar as
Contra-indicações políticas
Pois reações adversas
Podem ocasionar perdas fatais de memórias
E memoriados.
Não é indicada a super dosagem
Principalmente para aqueles
Que estão entre os 20 e 30 anos.
É recomendada a leitura de poemas
Pelo menos três vezes ao dia
Podendo ser aumentada em no máximo
Cinco vezes (mais que isso poderá causar alucinações).
A administração é de responsabilidade
Do paciente, mas não tão paciente assim
Um pouco de agilidade é o ideal.
Novamente o aviso para não exceder
A posologia indicada.
Não tomar “cala-bocas” nos seguintes casos:
Por mais de 10 tentativas de denúncias
Para aliviar a consciência,
Por mais de 3 pancadas dos cacetetes
Para colocar cada macaco no seu galho,
Se houver doenças da revolução
E de origem pasquinal.

O Ministério dos Manda-Chuvas adverte:
Revolucionar faz mal à saúde.

Siga corretamente o modo de usar. Não desaparecendo os sintomas procure orientação poética sigilosa.



Jaquelyne de Almeida Costa

Da Poesia que sou e me fiz ou Da Poesia que fiz para mim ou Da Poesia que sou.

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Quando vomito meus sentimentos,
Um a um jogados,
Escancaradamente,
Dizem-me ser atitude imatura.
Acaso imaturo não seria o contrário?
Será que peco em dizer, mostrar,
A casca cristalina que sou
Em tempos como esses?
- os quais tenho o desprazer de vivê-los.
Ah, sinceramente estou perdida
Porque outro jeito não sei fingir,
Até minhas mais inocentes mentiras
As conto tão mal
Que logo são desviradas.
Sei que preciso melhoras,
Sou parcialmente normal
O resto, o resto de mim
É isso que mais sou:
Uma mulher-menina,
Que não admite a mentira,
A falsidade, a hipocrisia,
A falta de amor,
Uma serenidade infeliz,
A violência,
A inconsciência,
A modernidade sem sentido
E seus bufões seguidores.
Ainda sou aquela menina
Que conversava solilóquios em seu quarto;
Que gostava ouvir histórias;
Que sonhava em ser princesa;
Que queria ser jornalista;
Que andava sempre cheia
De papéis e canetas;
Que brincava muito sozinha;
Que sonambulava pela casa;
Que gostava de poesias,
Mesmo sem por completo entendê-las.
Ainda sou aquela menina
Que gostava …