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Da hipérbole que mora em mim

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Rasga essa dor tecida no peito Grita Alardeia Pode grunhir Esgaça pelas alças Deixa cair Que o sentimento é expeço demais Que a saudade é enorme demais Ultrapassa as estruturas cardíacas Infla os pulmões Dilata o tórax Suspende o ar Inflama a corrente sanguínea Escorre pelo corpo inteiro Transborda fragmentos da alma Se apossa das paredes Se acomoda nas fotografias em cima da cômoda No cheiro da roupa guardada Nos objetos escondidos do olhar Que o sentimento é expeço demais Que a saudade é enorme demais É hipérbole morando em mim. Jaquelyne Costa - Janefli desde nascença

Desabrigada eternamente

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E mpurraram-me de mim Não ocupo mais este lugar Que outrora era tão (m)eu Do qual nunca cogitaria perder-me. Como a um cão de rua me enxotaram Da minha boca tiraram o pão Antes que eu dissesse não Esqueci mesmo quem era eu. Toda essa situação Essa coisa de perder o lugar De ficar para trás nalgum estranho habitat De perder o brilho primeiro do coração. Empurraram-me desse primogênito espaço Onde conheci meu dom, minhas estrelas Me deixaram somente o caos De não saber mais como acendê-las. Jaquelyne Costa - Janefli desde nascença.

Eu mesma comigo

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Para Taísa Ágatha Costa da Silveira e a mim mesma. mas sou teimosa e vivo em perigo por estar sempre presa eu mesma comigo . Jaquelyne Costa -Janeflí desde nascença

Abdicação

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Hoje não te quero, E deixe de tantos “por quês”. Hoje não te desejo Não te sentirei Não te beijarei Não, nos olhos, te olharei. E deixe de tantos “como?”. Hoje para mim és repugnante Mais um viandante que caminhou, em vão, Calçadas minhas. Hoje nem quero que me venhas E se insistires, voltarás pelo mesmo caminho. Te fecharei as portas Só por hoje, Não te quero aliviar o cenho cansado, Não quero ouvir confissões, Não quero saber intimidades Nem tuas nem alheias; Não quero que me leias Não quero declarações Nem chamamentos carinhosos. Hoje não te suportarei, vida minha. Hoje estou em clausuras necessárias E tu, só tu, sabes e podes retirar-me de mim. Jaquelyne de Almeida Costa