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A racionalização da Palavra - Parte III

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Seria possível dizer que o Jornalismo Literário fosse capaz de dar conta dessa transfiguração da vida que, segundo Nietzsche, só a música possui? Não sei. Sinceramente não sei como ela poderia existir no Jornalismo. Que o Jornalismo é uma necessidade humana de se fazer comunicar através da “divulgação” dos fatos é uma idéia que exige muito mais que essas palavras. Mas será que a Poesia, a linguagem poética unida ao “contar histórias” não poderia ser uma saída para essa superficialidade que corrompe o Jornalismo? De que modo a força da música adentraria a linguagem jornalística? Como individuo dessa sociedade me sinto atravessada por uma angústia (não sei ao certo qual o sentimento) que me faz abafar o sentido orientador, e espero um dia encontrar o fio que Ariadne deixou no labirinto onde muitos são os Teseus, inclusive eu. Quem será a Ariadne que precisamos?A perfeição da música inserida na escrita? Essa perfeição permitiria a existência da Eternidade, o nosso tempo não seria mais fug...

A racionalização da Palavra: a comunicação falida - Parte II

Essas perguntas as faço para mim mesma. E, em tempo feroce, quanto mais eu as faço mais percebo o tempo escapulir de mim, e sou mais um número a se acrescentar na estatística da modernidade que a tudo superficializa. Quantas vezes na faculdade os professores me passam apostilas que eu nem tenho o tempo necessário para lê-las? Lembrei-me agora de um texto de Larrosa a cerca de como saber ler. Nele estava presente o que Nietzsche nos obriga a perceber da qualidade de nossas leituras. Destaco aqui o seguinte trecho de Larrosa: “O jornalista, por seu lado, representa a pseudocultura, a aceleração, a indisciplina intelectual, a superficialidade, a imaturidade, o espírito plebeu da divulgação. O jornalista é o que opina sobre tudo e sobre todos, o que fala de qualquer coisa, o que tem opiniões próprias, mas nada mais que opiniões.” À primeira vista, pode-se imaginar o enleio que saltou sobre mim. Eu, estudante de Jornalismo, lendo uma afirmação assim impactante. Concordo em parte com Larrosa...

A racionalização da Palavra: a comunicação falida - Parte I

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O que escrever a respeito do que Nietzsche afirma sobre a força da Palavra cantada? E o que pensar então sobre seu principal projeto quando ele diz: “Deveria ter cantado. Que pena que eu não tenha ousado dizer como poeta o que eu tinha então a dizer: talvez eu tivesse sido capaz”. Por medo de errar, muitas vezes me nego a tentar escrever, ou falar minha opinião a cerca do que Nietzsche apresenta em suas obras. Mas fui estimulada a dizer em palavras marcadas no papel o meu entendimento, o que penso disso, e como a comunicação, o Jornalismo poderia ser “melhor”, ter um objetivo outro diferente do que o rege atualmente (ou desde sempre). Isso sendo, exaustivamente, como Sísifo e sua pedra – a notícia (o acontecimento) como a pedra que rola naturalmente, cada despencar é o incomum que tem de acontecer; e nós como Sísifo a transportá-la montanha acima porque achamos que o lugar dela deve ser lá, no pico da montanha. Então, que venha a Palavra na sua mais completa força poética, a que extrav...