13 março, 2017

Amor jamais será essa coisa pálida que faz você se sentir pequeno e esquecido



“Tantas você fez que ela cansou porque você, rapaz, abusou da regra três onde menos vale mais”, esses versos do poetinha Vinicius de Moraes sempre martelam na minha mente quando um relacionamento amoroso não dá certo. Passam pela sua também? De repente, eu percebo que não era amor de verdade, era algo apático, de vínculo extremamente frágil, linha quase transparente. Andava incômoda porque sentia que faltava tanta coisa... era um amor que sofria de osteogênese imperfeita. Olha, confesso que senti em dizer a mim, mas esse não era um amor.  

Um amor forte e verdadeiro é quando o outro lhe aceita do jeitinho que você é, claro, sem esquecer que todos temos “defeitos de fábrica” e algumas coisas precisam sim sempre ser melhoradas. Um amor bom procura lhe fazer bem o máximo que der, lhe faz sorrir mais do que chorar e se chorar é de emoção bonita e não tristeza. O amor é aquele que dentre tantas coisas simples faz você se sentir em casa; é conexão que não cai, pra dar inveja a qualquer wi-fi do Google! Amor abraça e beija sem reservas, não tem pra quê sentir vergonha de expor algo tão lindo. Não tem também pra quê tanto silêncio. Silêncio demais atordoa, como diria Chico Buarque, deixa a gente sem saber se o que está vivendo é de fato algo que está fazendo o outro feliz e principalmente, a gente mesmo.

Aposto que todo mundo quer um porto para se sentir seguro, amado, desejado, querido. Quer ser abraçado, beijado, tocado, olhado, bem fundo, aquele olhar que deixa a gente nu diante do outro, que permite que vejam da gente os mais preciosos segredos. Todo mundo quer alguém que o coloque pra cima, um verdadeiro companheiro “pra todas as horas”, que incentive, que sorria ao lhe ver sorrir. Ter alguém que não faz o menor esforço pra lhe ver é sacanagem! Alguém que não vibra por suas conquistas, quem quer? Eu não quero príncipe encantado até porque eu nem sou uma princesa, de jeito nenhum! Eu tenho meus defeitos, meus anseios (vários), minhas convicções, meus valores e por algumas memórias eu vivo. No entanto, nada que me torne um ser antissociável a ponto de ninguém poder se relacionar comigo e me amar assim.

Quando a gente aceita estar com alguém e vai ao longo do tempo percebendo que está sempre apático, não comemora sequer a data do dia em que começou a namorar (até esquece), não quer curtir coisas simples como um dia de sol, umas voltas de bicicleta, não sabe seu escritor favorito, não sabe dizer seu nome completo, aí algo de muito errado está acontecendo. Afinal, se a gente gosta muito de alguém, se interessa em saber das coisas que ele gosta e não gosta, do que o proporciona prazer e o que lhe incomoda.

Quando a gente ama não faz chantagem para que o outro mude alguma coisa que estava causando conflito, nem o faz por mensagem de What’s app, por exemplo. A gente senta frente a frente porque sabe que encontrar alguém bacana está bem difícil e simplesmente o descartar, só por uma questão que poderia até ter sido acertada, só demonstra o quanto não havia amor nisso, era somente acomodação em ter alguém para lhe satisfazer quando bem o quisesse, uma ilusão de não estar sozinho quando de fato você está mais solitário que um ermitão.  Não existe amor apático. Amor jamais será essa coisa pálida que faz você se sentir pequeno e esquecido. Amor mesmo deixa a gente até mais bonito porque rosado fica o coração!



Jaquelyne Costa 
Jornalista, poetisa e escritora

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Eu sei, mas não devia

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"A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma." (Trecho da crônica - Eu sei, mas não devia - Marina Colasanti)

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