Volodya esperou por mim




Eu havia entrado em desespero. Quando a gente está sofrendo cega para as pequenas coisas boas que acontecem. Choro. A alma derrama um sal doloroso e cinzento. O fracasso não sai do pensamento, as pedras alcançam um eco de impotência e tudo aparenta um enorme edifício, colossal em sua crueldade. Sento na beira da cama, esfrego os pulsos na madeira velha que, provavelmente, pode me extrair algumas gotas desbotadas de sangue. Uma lágrima cai no assoalho e provoca um estrondo anormalmente fora do comum. Um amigo bate à porta, chama meu nome e eu, roucamente, peço que não me espere mais. “Meu Deus! Não me espere mais!” Dali não daria mais nenhum passo, entregaria minha alma para o primeiro anjo que me aparecesse.

Tantos problemas despetalam minhas flores e por onde andei colhi angústia e sofrimento, adagas e punhais. Eles me feriam pelas costas, rasgavam minha roupa e, ainda não satisfeitos, roubavam minhas virtudes primogênitas. Abriam a porta como quem empurra uma pesada porteira, e na cama eu ficava arrasada por dentro e por fora. Outra vez, um amigo bate à porta. O mesmo. Chamou-me, aflito, o nome. Não o pude responder. Minha garganta estava lacrada, um gosto estranho de metal enferrujado. Meus braços marcados tentavam abarcar o trinco e deixar que meu amigo me visse assim, com certeza, me ajudaria.

Um dia de muita névoa deitou-se sobre a cidade. Um dia branco. Da janela de meu pequeno, quase incomodo, apartamento eu podia sentir o frio que cortava pensamentos, corações e almas. Meu amigo apareceu-me. Sem bater à porta. Sem chamar-me aflito. Entrou sereno como entram os anjos da guarda e me levou a um lugar de extrema paz, onde o céu estava de um azul celestial. Volodya curou-me de mim mesma. Curou-me da agonia que vivia. Sorriu um sorriso que dançava as flores de suas íris. Volodya levou-me para casa. Volodya esperou por mim.







Jaquelyne A. Costa

Comentários

O Profeta disse…
Para que a terra não trema
Para que esta Ilha seja de boa guarida
Mil e muitas ave-marias
Para iluminar tanta alma perdida

Em meu peito bate a fé
Sou um caminhante de muda revolta
Olhos presos a este manto verde
Alma que se ergue e fica solta


Boa Páscoa


Mágico beijo
Juci disse…
nossa tão cruel ter que passar por sofrimento para somente depois gozar da paz!! aiai...
MEUS PENSAMENTOS disse…
belo texto querida!
feliz pascoa!
Nade disse…
O que posso desejar para este período de reflexão?
Que as verdadeiras amizades continuem eternas
e tenham sempre um lugar especial em nossos corações.
Que as lágrimas sejam poucas, e logo superadas.
Que as alegrias estejam sempre presentes
e sejam festejadas por todos.
Que o carinho esteja presente em um simples olá,
ou em qualquer outra frase, ou digitada rapidamente.
Que os corações estejam sempre abertos para novas amizades, novos amores, novas conquistas.
Que Deus, esteja sempre com sua mão estendida,
apontando o caminho correto.
Que as coisas pequenas como a inveja ou o desamor,
sejam retiradas de nossa vida.
Que aquele que necessite ajuda encontre sempre em nós uma animadora palavra amiga.
Que a verdade sempre esteja acima de tudo.
Que o perdão e a compreensão superem as amarguras e as desavenças.
Que este nosso pequeno mundo virtual seja cada vez mais humano.
Que tudo o que sonhamos se transforme em realidade.
Que o Amor pelo próximo seja nossa meta absoluta.
Que nossa jornada de hoje esteja repleta de flores.
Feliz Páscoa a você e toda sua família!
Bjks
Orgulho de Ser
Feliz Páscoa, Profeta!!

Um mágico beijo repleto de renovação!
Ah, Ju, mas a vida é quase sempre assim, não é mesmo?!

Beijos,amiga!
obrigada, Márcia!!

Beijos=**
Nade, muito obrigada por tão bela mensagem!!

Que tudo de bom que você me desejou lhe alcance!!!

Beijos=*
Giuseppe Menezes disse…
Eu também sou um amigo que chama por você... =D

Feliz páscoa passada.
Ah, Gepp!!!
Eu também te espero...

Feliz Páscoa passada e futura...

;)

Postagens mais visitadas deste blog

Descendentes de Ares, doentes de um ódio cancerígeno

Amor jamais será essa coisa pálida que faz você se sentir pequeno e esquecido

Poema do sim e do não