Petits faits de um sincofanta


Vês isto em minhas mãos?
Elas não mais se abrem,
segurando uma coisa que não pode cair.
Te perguntas por quê?
Sabes a razão do meu pedido para que viesses?
Não. Não o sabes.
Nada enxergas além de teus braços,
Passando disso, nada te importa.
O que é o amor em teu significado?
O amor é um objeto que tu manuseias malabaricamente,
enquanto fazes o outro sofrer.
Quantas vezes abristes as portas docemente
para depois as fechares tão bruscamente?
Com quantos jarês conquistastes por mandinga
a ilusão alheia?
Sabes o quão xavier és tu quando tentas, maliciosamente, sorrir?
Por que achas que os outros só o enxergarão se tiverdes dinheiro;
e por que tu só os vê se tiverem posses e títulos?
Tens desculpas para tudo,
dizes que ficastes desiludido
depois de um romance mal-fadado.
Pois digo-te eu
que para mal-caratismo não há perdão nem absolvimento.
Acreditas que nunca irás ficar só
por ser inteligente, atraente e conquistador?
Ah, como te enganas fácil!
És apenas um cordeiro de bela lã,
mas tens um coração negro
que se revela em tua aura e em teus desassossegos.
Digo-te, ex corde, és um íncubo
provocador de pesadelos
que aduna sofrimentos e doenças
nas pessoas que, sem saber,
se fazem preias tuas.
Serás eternamente, par excellence,
irremissa criatura.


Jaquelyne de Almeida Costa

Comentários

GIUSEPPE MENEZES disse…
Mas o que fazer prá não ficar sozinho? Eu não sei a resposta, mas espero que não seja preciso corromper-se.....
Jaquelyne disse…
Corromper-se jamais!!
Sozinho, só se você se bastar a si mesmo!
Não é mesmo, Gepp?
Solidão é para os egoístas!!!

Postagens mais visitadas deste blog

Descendentes de Ares, doentes de um ódio cancerígeno

Poema do sim e do não

Amor jamais será essa coisa pálida que faz você se sentir pequeno e esquecido