Postagens

Mostrando postagens com o rótulo desespero

Volodya esperou por mim

Imagem
Eu havia entrado em desespero. Quando a gente está sofrendo cega para as pequenas coisas boas que acontecem. Choro. A alma derrama um sal doloroso e cinzento. O fracasso não sai do pensamento, as pedras alcançam um eco de impotência e tudo aparenta um enorme edifício, colossal em sua crueldade. Sento na beira da cama, esfrego os pulsos na madeira velha que, provavelmente, pode me extrair algumas gotas desbotadas de sangue. Uma lágrima cai no assoalho e provoca um estrondo anormalmente fora do comum. Um amigo bate à porta, chama meu nome e eu, roucamente, peço que não me espere mais. “Meu Deus! Não me espere mais!” Dali não daria mais nenhum passo, entregaria minha alma para o primeiro anjo que me aparecesse. Tantos problemas despetalam minhas flores e por onde andei colhi angústia e sofrimento, adagas e punhais. Eles me feriam pelas costas, rasgavam minha roupa e, ainda não satisfeitos, roubavam minhas virtudes primogênitas. Abriam a porta como quem empurra uma pesada porteira, e na ...