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Quando eu sentir o céu

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 Foto: Patrícia Telles Quando eu sentir o céu assim doce na boca a nuvem que desejei descerá numa febre louca e chorará a angústia de ter sido muito mais do que foi preciso para se viver em branca paz. Quando eu sentir o céu e de lá vierem os gritos roucos quase tontos de tanto silenciar estarei de olhos atentos estenderei meus braços sedentos e meu corpo falará das profissões de minha fé. Quando eu sentir o céu sem tocar-lhe com os dedos não sentirei mais o medo que outrora alguém me impôs libertarei pelo vento aquele desejo antigo de transformar o meu amor em muito mais que meu amigo. Quando eu sentir o céu inteiro dentro de mim não haverá mais espaços para o vazio que agora sinto me confundir em passos ecoando pelo infinito. Jaquelyne Costa - Janeflí desde nascença *Poesia inspirada na fotografia da amiga Patrícia Telles. Paty, ficam aqui meus agradecimentos em forma de poesia!

O Amor me ensina...

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...que mar é céu em quedas. Jaquelyne de Almeida Costa

Himmel

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Nesse pincelado de rosa alaranjado O algodão embebido de azul Num voar livre pássaro Que segue num destino infinito Num lugar onde a vista nem alcança Estende-se um lençol Outrora derramado leite Um dia cortina escura Possuidor de rebento dourado Que por vezes chora Umas lágrimas de gelo Que quase sempre deixa cair Umas lágrimas de fogo Nessa neve safira bordada de pedaços de cinzas prateadas Lugar zênite-escarlate crepuscular Firmamento etéreo de Deus. Jaquelyne de Almeida Costa

Melancolicamente

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Ao ouvir a canção Céu cor de rosa de V. Harbert / A. Dubin / E. Barthlett / Haroldo Barbosa Ontem, na tarde tristonha olhei para o céu longe avistei o passado lembrei tuas palavras procurei-te ao sol poente e minha alma escureceu. Chorei ao caminhar pelas ruas fui revendo as cenas belas do amor alheio tantos outros casais a andar de mãos dadas e vivendo felizes, todos em paz. Sonhei que tu estavas ao meu lado quis beijar-te os lábios e então acordei era tudo um sonho que tão cedo acabou. A alvorada que nasce não tem mais o doce sabor porque sei, estou sem amor. Quando vinhas me ver eu vivia a sorrir, a cantar os teus passos na escada confundiam-se ao bater do meu coração que alegre ficava, repleto de emoção. Hoje, estou tão sozinha como a velha andorinha que já não faz mais verão e o sol vai sumindo, melancolicamente, a noite chega ao meu coração. Jaquelyne de Almeida Costa

Meu céu é sempre muito azul

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“Ma il cielo é sempre píu blu...” (Rino Gaetano) Esse azul é sempre O que me consola Passa a noite Acorda o dia E o azul de minha alegria. Eu cavalgava sem medo Esperava me trazerem as flores Antes que o céu azul fosse embora. Me deitava encantada A sombra da lua Na minha sacada Uma noite estrelada Bordava de manhã -ainda O meu lençol azul Estendido sobre a Terra. Eu enfrentava a tristeza Enquanto um menino No outro lado da rua Me sorria E eu dizia Meu céu é sempre muito azul Mesmo nos dias De minha mais rara alegria. É esse o azul da vida Que me contagia Vou surgindo como o céu Ora calmo e claro dia Ora tormentosa e escura noite Numa eterna inconstância Sofrida, Mas mesmo na mais perigosa Das noites O meu céu é sempre muito azul. Jaquelyne de Almeida Costa

A carregadora de sonhos

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Eu havia me concentrado naquela figura raquítica, dobrada, encostada a uma parede branca e fria de um pequeno apartamento. Ela olhava para a paisagem através da grande janela que dava para o terraço. Seu olhar era de uma tristeza conformada, sabia que lá fora era grande demais para uma pessoa como ela. Lá fora havia muitas coisas que gostava. Mas havia também as pessoas que a perseguiam. Fechava os olhos com força e aí saía a primeira gota silenciosa por não saber mais o que fazer. Ela olhava, e eu ali me fazendo fantasma a observar. Seu olhar jogava uma luz pesada para fora enquanto eu a emoldurava em minha visão-lembrança. Em seu colo havia uma tigela com biscoitos de chocolate (o nosso favorito) e em suas costas, mal repousadas às costas do pequeno sofá escuro, uma velha almofada enfadada pelo tempo contínuo de uso. Agora um barulho se fazia ouvir pelo resto do cômodo. Isso a deixava totalmente concentrada. A televisão não era apenas aquele aparelho de onde sua mãe sabia notícias e ...